Manual do tratamento quimioterápico


O mecanismo de ação direciona-se principalmente para células de multiplicação rápida do nosso organismo. Desta ação resultam os principais efeitos colaterais da quimioterapia como anemia (diminuição dos glóbulos vermelhos do sangue), leucopenia (diminuição dos glóbulos brancos ), plaquetopenia (diminuição das plaquetas), mucositose (aftas) e alopécia (queda dos cabelos). Esses efeitos colaterais são reversíveis em sua maioria, pois as células normais voltam a se multiplicar e desempenhar suas funções habituais no intervalo entre os ciclos, e, principalmente, após o término da quimioterapia.

A quimioterapia pode ser administrada por via intravenosa (veia), intra-arterial (artéria), intra-vesical (nos tumores de bexiga), intratecal (espaço raquidiano na coluna vertebral), intramuscular (músculos), oral ou subcutânea. A via de administração pode variar de acordo com a medicação e com o tipo de doença.

É possível manter as atividades profissionais e sociais durante o tratamento?

As atividades profissionais e sociais devem ser mantidas, desde que se observem as reações do paciente durante o tratamento, que são variáveis de pessoa a pessoa. Se a disposição física diminuir durante esse período, o ideal é respeitar os novos limites, evitando as atividades que provocam maior desgaste físico e/ou emocional.

Recomenda-se adaptar os compromissos profissionais ao tratamento, reservando os dias subseqüentes às aplicações para repouso. As viagens devem ser planejadas em função do calendário de tratamento, discutindo-se com a equipe médica e de enfermagem a época mais adequada para realizá-las. Para os casos em que são esperadas alterações importantes no número de leucócitos no sangue, sugerimos algumas restrições ao convívio social.

Posso utilizar outro tipo de medicamento durante a quimioterapia?

Podem haver efeitos adversos quando os quimioterápicos são combinados com alguns tipos de medicamentos. É muito importante informar a seu médico sobre qualquer outro medicamento que você deseje utilizar com alguma freqüência. Caso não haja restrições, continue a tomá-los em dia. Exemplo: remédios para pressão, controle de natalidade, etc.

Como fica minha vida sexual?

A vida sexual continua normalmente. Porém devido à maior sensibilidade das mucosas e suscetibilidade a infecções, sugerimos a utilização de lubrificantes e preservativos. Alguns medicamentos poderão provocar a diminuição do número de espermatozóides ou alterar a fertilidade na mulher, mas é um quadro reversível ao término do tratamento na maioria das vezes.
Homens e mulheres com vida sexual ativa e em tratamento devem conversar com seu médico sobre o melhor método contraceptivo. Recomendamos que a gravidez seja evitada durante este período.
As mulheres também podem apresentar alterações no fluxo menstrual.

Quais são os possíveis efeitos colaterais após a quimioterapia?

As drogas quimioterápicas se distribuem por todos os locais do corpo, atingindo, dessa forma, todas as células que estão com problemas. No entanto, células normais também são atingidas, podendo provocar alterações no organismo que são chamadas de efeitos colaterais. Na maioria das vezes, esses efeitos são passageiros e podem ser evitados ou atenuados, quando seguidas corretamente as orientações da equipe de saúde.
LEMBRE-SE: esses efeitos colaterais nem sempre acontecem com todas as pessoas que fazem quimioterapia, pois dependem do tipo de medicamento utilizado e do organismo de cada paciente. Isso significa que alguns efeitos colaterais desagradáveis podem acontecer com uma pessoa e não com outra.
A seguir falaremos de alguns efeitos mais comuns e o que você deve fazer para evitá-los ou reduzí-los, sentindo-se melhor.

Náuseas e vômitos

Nem todos os medicamentos quimioterápicos provocam náuseas e vômitos. A intensidade vai depender do tipo de droga utilizada, da dose e de como o organismo reage. Estes efeitos podem aparecer uma ou várias horas após a administração da quimioterapia.
Felizmente, existe um grande número de medicamentos antináuseas disponíveis que são utilizados como prevenção antes da quimioterapia e nos dias que se seguem ao dia da aplicação.

Dicas:

  • Faça uma pequena refeição mais cedo, no dia do tratamento, evitando alimentar-se imediatamente antes da aplicação;
  • Faça várias refeições ao dia, em pequenas quantidades - de 2 em 2 horas, por exemplo - evitando longos períodos de estômago vazio;
  • Evite alimentos gordurosos e frituras;
  • Evite odores (cheiros) fortes;
  • Evite cozinhar quando estiver nauseado;
  • Evite idas à cozinha no momento em que os alimentos estão sendo reparados;
  • Prefira alimentos leves e de fácil digestão;
  • Evite alimentos muito quentes. Faça opção por alimentos frios ou em temperatura ambiente. As balas azedas, alimentos secos como bolachas salgadas e torradas ajudam a reduzir o enjôo;
  • Evite a desidratação, tomando bastante líquido. Algumas pessoas sentem-se bem com suco de maçã, limão e gelo;
  • Evite deitar-se logo após as refeições;
  • Quando estiver enjoado, não force a ingestão de líquidos ou alimentos - utilize o remédio orientado pela equipe médica;
  • Em caso de vômitos persistentes, contactar a equipe médica.

Alopécia (queda de cabelos/pelos)

Algumas drogas quimioterápicas atingem o crescimento e a multiplicação das células que dão origem ao cabelo, podendo provocar a queda de forma total ou parcial. É importante lembrar que este efeito é temporário e após ao término do tratamento, ou às vezes até durante, o cabelo volta a crescer.

Dicas:

  • Escove os cabelos delicadamente, evite o uso de escovas com cerdas duras;
  • Utilize produtos suaves que não provoquem ressecamento do cabelo ou do couro cabeludo;
  • Evite o uso do secador, permanentes, alisamentos e tinturas;
  • Evite fatores que dificultam o crescimento do cabelo como calor, umidade e oleosidade, portanto não utilize lenços, toucas ou perucas durante o dia todo;
  • Sugerimos cortar os cabelos, uma vez que o peso do fio longo pode desprendê-lo do couro cabeludo mais facilmente. Caso ocorra uma queda total dos cabelos, considerar a opção de confeccionar peruca com o próprio cabelo.

Mucosite

Alguns medicamentos podem provocar aparecimento de aftas, irritação das gengivas, da garganta e feridas na boca. Podem ser dolorosas e muitas vezes dificultam a alimentação. Essas lesões podem aparecer de 2 a 10 dias após a aplicação da quimioterapia.

Dicas:

  • Realize higiene oral com maior freqüência. Utilize uma colher rasa de bicarbonato de sódio dissolvido em um copo pequeno de água filtrada e fervida, para bochechar após às refeições;
  • Evite escova de dente com cerdas duras, ou, em casos de maior sensibilidade, evite escovar os dentes. Uma boa alternativa é passar o creme dental com algodão enrolado em uma espátula;
  • Evite usar produtos de higiene oral que contenham álcool na sua fórmula;
  • Evite ingerir alimentos quentes, picantes ou muito duros;
  • Beba bastante líquido;
  • Prefira alimentos pastosos, macios, leves e com pouco sal;
  • Evite comer frutas ácidas (limão, tangerina, abacaxi, etc);
  • Utilize soluções de nistatina, bepantol e gel para bochechos e gargarejos, conforme orientação da equipe de saúde.

Alterações da pele

Alguns medicamentos podem tornar sua pele seca, mais escura e mais sensível à luz solar. As unhas também podem apresentar escurecimento, rachaduras ou manchas brancas.

Dicas:

  • Evite exposição ao sol, principalmente nos horários das 10h às 16h;
  • Utilize diariamente filtro solar com fator de proteção maior ou igual a 15. Aplique o filtro solar 30 minutos antes da exposição ao sol e reaplique a cada 3 ou 4 horas;
  • Evite banho muito quente, aplicar perfume diretamente sobre a pele e uso de cosméticos sem orientação médica;
  • Fique atento aos locais que foram puncionados para a administração dos quimioterápicos e comunique a enfermagem qualquer alteração nestes locais;
  • Utilize pelo menos uma vez ao dia hidratante (sem cheiro) na pele.

Diarréia

A diarréia (evacuações freqüentes com fezes amolecidas), efeito colateral presente em alguns protocolos do tratamento, pode causar desidratação que é a perda de líquido do organismo.
A desidratação pode acarretar complicações como fraqueza, tontura, taquicardia (pulso acelerado), confusão mental e hipotensão. Alguns medicamentos quimioterápicos podem provocar diarréia em maior ou menor intensidade. É importante descrever ao seu médico os sintomas, freqüência, consistência, cor das fezes e se está acompanhada de cólicas ou sangue.
Se você faz uso de CPT-II, observe orientações específicas da equipe.

Dicas:

  • Beba bastante líquido, de preferência água de côco.
  • Evite frituras, alimentos muito temperados, gordurosos e algumas frutas por todo o tempo em que persistir a diarréia. Ex.: chocolate, amendoim, abacate, mamão, laranja, etc.
  • Evite frutas e legumes que não estiverem maduros;
  • Suspenda derivados do leite
  • Evite café ou outras bebidas que contenham cafeína (chá preto, chocolate) por todo tempo quepersistir a diarréia;
  • Coma bastante arroz branco, macarrão sem molho, cenoura, chuchu, ervilha, maçã, banana, goiaba, lima, pêra sem casca, torradas, mucilon de arroz, tapioca. Esses alimentos ajudam a “prender” o intestino;
  • Evite o uso de papel higiênico após as dejeções diarréicas - prefira realizar higiene peri-anal com ducha;
  • Utilize medicações somente autorizadas pela equipe de saúde;
  • Diarréia com febre deve ser imediatamente comunicada.

Prisão de ventre (obstipação intestinal)

Ao contrário da diarréia, algumas medicações podem causar alteração no ritmo intestinal, podendo provocar obstipação intestinal, ou seja, dificuldade em evacuar.

Dicas:

  • Beba bastante líquido - no mínimo 2 litros por dia;
  • Pratique exercícios físicos leves todos os dias, se possível. Ex.: caminhada ou esteira;
  • Aumente o consumo de alface, berinjela, pepino, tomate, repolho, beterraba, grão de bico, mamão, abacaxi, manga, melancia, tangerina, jaca, ameixa, pêssego, abacate, laranja, aveia, fubá de milho, farelo de trigo, mucilon de milho, iogurte, queijo e nozes;
  • Caso a obstipação se torne crônica, comunique a equipe de saúde.

Anemia

As células do sangue também são afetadas pela quimioterapia, podendo ocorrer uma queda no número de hemácias - glóbulos vermelhos do sangue - causando anemia. Esta pode levar a sensação de fraqueza, cansaço, falta de ar, tontura e edema nos pés. Em alguns casos se faz necessário uso de transfusão de sangue ou tratamento para estimular a produção de hemácias (eritropoetina).

Dicas:

  • Evite atividades que exijam muito esforço físico;
  • Descanse bastante e procure dormir bem;
  • Coma alimentos ricos em ferro (feijão, beterraba, jenipapo, cenoura, quiabo, couve, fígado, espinafre, brócolis, caldo de cana);

Leucopenia

A quimioterapia pode afetar os leucócitos - glóbulos brancos do sangue - que são responsáveis pela defesa do nosso organismo. São eles que destróem as bactérias, fungos e vírus. Se o número de leucócitos estiver reduzido, o indivíduo fica mais propenso a infecções. Durante o período de tratamento é realizado um acompanhamento das condições do paciente através de exames de sangue e em alguns casos é necessário uso de medicações para estimular a medula a produzir leucócitos.

Dicas:

  • Evite locais fechados e muito cheios, pouco ventilados e úmidos (com mofo);
  • Evite encontrar pessoas com alguma doença infecciosa;
  • Atente à febre (temperatura acima de 37,8°C), comunicando ao seu médico;
  • Faça uma boa higiene pessoal, lavando bem as mãos antes das refeições, ao chegar em casa e ao usar o banheiro;
  • Faça uma limpeza constante da boca e dentes. Mantenha as unhas sempre cortadas e limpas;
  • Lave bem os alimentos antes de comê-los;
  • Evite alimentos crus;
  • Evite espremer furúnculos, espinhas ou cravos;
  • Evite tomar banho de rio, lagoa ou piscina coletiva;
  • Evite tirar cutículas das unhas;
  • Tenha cuidado ao fazer barba , axilas ou pernas;
  • Troque as toalhas de banho regularmente e não as divida com outras pessoas;
  • Evite lidar com terra, plantas ou água de vasos de flores;
  • Use luvas de proteção quando lidar com jardinagem ou limpar seus animais.

Plaquetopenia

A quimioterapia pode causar a diminuição do número de plaquetas - células do sangue responsáveis pela coagulação. O número reduzido de plaquetas torna o indivíduo mais propenso a sangramentos.

Dicas:

  • Observe se há presença de sangramento nasal, oral, intestinal ou urinário e comunique ao seu médico;
  • Evite traumas e a manipulação de objetos cortantes (tesoura, faca);
  • Utilize escova de dente com cerdas macias, observe sangramento na gengiva;
  • Tratamento dentário, quando necessário, requer autorização do médico assistente;
  • Evitar o uso de injeção intra-muscular, subcutânea e intradérmica;
  • Observe e comunique a ocorrência de hematomas na pele.

Situações adversas

Abaixo, um resumo dos sinais e sintomas que devem ser comunicados à equipe médica imediatamente:

Dicas:

  • Febre acima de 37,8°C;
  • Calafrios;
  • Náuseas e vômitos de difícil controle;
  • Aumento de dor pré-existente ou aparecimento de uma nova dor;
  • Hematomas ou sangramentos;
  • Dificuldade em controlar a urina, idas freqüentes ao banheiro com pequena quantidade de urina, sensação de queimor ou ardência ao urinar;
  • Diarréia com mais de três dejeções líquidas ao dia ou fezes com sangue ou acompanhada de febre;
  • Visão dupla ou borrada;
  • Dor na garganta, tosse, dificuldade de respirar;
  • Fraqueza nas pernas e dificuldade em andar;
  • Inchaço (edema) de extremidade repentino com ou sem dor;
  • Tosse com secreção.

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