Tratar de casos de câncer renal e de próstata envolve vários especialistas, mas há a necessidade de se tratar o paciente como um só. Foi com esta abordagem que a AMO - Assistência Multidisciplinar em Oncologia e Instituto Ética, com apoio institucional da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU-BA), realizaram o I Encontro Multidisciplinar em Uro-Oncologia. O evento aconteceu no Hotel Vila Galé, em Guarajuba, e reuniu entre os dias 18 e 20 de setembro profissionais médicos de diversas especialidades.
Para o patologista do Imagepat (Laboratório de Anatomia Patológica), Luiz Freitas, esse modelo de abordagem é bastante interessante, pois as várias especialidades precisam entender o trabalho do outro, para que haja um diálogo absolutamente livre entre eles. No evento estiveram presentes especialistas das áreas de Urologia, Oncologia, Radioterapia, Radiologia e Uro-patologia para o tratamento de pacientes com tumores oncológicos. Na ocasião, além da integração entre representantes de diversos unidades da capital baiana, o evento contou com a presença de especialistas de Feira de Santana, Vitória da Conquista e Itabuna.
O caráter informal e direto dos debates foi um dos atrativos para o encontro. Casos clínicos puderam ser discutidos e analisados por diversos olhares, com opiniões bastante específicas. “São colegas que trazem casos e vai servir de ensinamento para todos que estão aqui”, pontua o urologista Edson Paschoalin, da Clínica Senhor do Bonfim, em Feira de Santana. O presidente da SBU-BA, Dr. Wagner Porto, compartilha das idéias dos colegas. “Eu acho louvável a atitude do dr. Carlos Sampaio, através da Amo, de promover o inter-relacionamento entre especialidades. Nós todos temos a ganhar porque aprendemos, reciclamos o conhecimento”.
Para os médicos presentes na discussão quem mais tem a ganhar com esses encontros são os pacientes. “O doente é um só, e é tratado por vários médicos e, sem dúvida, a união desse tratamento é fundamental para melhor tratá-lo, já que é único”, sinaliza Marcos Leal, Urologista do Hospital Aristides Maltez. Já o Dr. Túlio Souza, Patologista do Hospital Aliança, acredita que a medicina não é mais unilateral e as condutas devem ser tomadas baseadas nas decisões de vários.
Alguns médicos ainda atentam para a necessidade de uma maior atenção às multidisciplinaridades. “Infelizmente ainda há muita gente que vive só - filho único - e não pode ser assim. Ou se tem uma orquestra com tudo funcionando bem ou você não consegue tocar tudo sozinho”, alerta Manoel Juncal, urologista do Hospital Espanhol e Aliança. Richard Uwe, radioterapeuta do Hospital Português e São Rafael aposta nesse modelo de encontro como forma mais prática de se unir às diversas especialidades. “No dia a dia você não tem condições de acompanhar o paciente de forma multidisciplinar, por que são especialidades. Mas nesse tipo de evento você tem acesso a informações que termina beneficiando seu paciente”, afirma Uwe.
O anfitrião, Vinicius Carrera, Oncologista Clínico da Clínica Amo, acredita que hoje há uma necessidade de um atendimento global. “O paciente se sente visto em partes, se sente inseguro. O que precisa cada vez mais é aproximar esses especialistas que tratam da mesma doença para oferecer um tratamento mais global e ao mesmo tempo individualizado”, reforça.