Uma nova técnica para transplante de medula óssea – tratamento indicado em casos de leucemia e outras desordens graves do sangue – tem sido testada com sucesso nos Estados Unidos. Cientistas conseguiram multiplicar as células-tronco presentes no sangue do cordão umbilical. Caso a novidade seja bem-sucedida em estudos com um grande número de pacientes, pode diminuir a espera pelo transplante.
O transplante de medula a partir do sangue do cordão umbilical já é uma técnica consagrada, inclusive no Brasil, mas devido à pequena quantidade de células-tronco em cada cordão, geralmente só é usada em crianças. Para adultos, é necessário usar pelo menos dois cordões.
Os cientistas do centro de pesquisas de câncer Fred Hutchinson, em Seattle, conseguiram, através de uma proteína, multiplicar em 150 vezes o número de células-tronco existente num cordão umbilical.
As células-tronco do cordão umbilical são mais imaturas do que as da medula óssea e têm menos chance de provocar rejeição. Por isso, não é necessário 100% de compatibilidade entre doador e pacientes, conforme acontece com o transplante de medula óssea. Segundo os pesquisadores as células de cordão "expandidas" em laboratório foram aceitas pelo organismo mais depressa do que no transplante de medula convencional. No grupo de 10 pacientes, entre 3 e 43 anos, que participaram da pesquisa, sete responderam positivamente ao tratamento.
De acordo com o diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Luis Fernando Bouzas, a tentativa de expandir as células-tronco do cordão vem sendo tentada há algum tempo por vários grupos de pesquisa, inclusive no INCA. "O desafio é expandir as células-tronco do cordão sem que elas se diferenciem, ou seja adquiram características específicas de um determinado tipo de tecido que virão a formar. Uma vez que elas se diferenciem, perdem parte do potencial de se transformar em células da medula óssea", explica.
Apesar de as células-tronco do cordão umbilical serem mais imaturas do que as da medula óssea, Bouzas diz que o ideal é que a compatibilidade entre doador e paciente seja de, no mínimo 80%. "Quanto maior a compatibilidade, menor o risco de rejeição. Não só o paciente pode rejeitar a medula, como a medula pode rejeitar o paciente. É a chamada doença enxerto (medula) contra hospedeiro (o paciente)."
Em 2009, até setembro, o SUS havia realizado 99 transplantes com doador não-aparentado (somando medula e sangue de cordão). E o número de doadores cadastrados já ultrapassa 1,3 milhão.
Rede Brasilcord
O Brasil conta hoje com cinco bancos públicos de sangue de cordão umbilical e placentário: no INCA, no Rio de Janeiro, no Hospital Albert Einstein (São Paulo) e nos hemocentros de Campinas (SP), Ribeirão Preto (SP) e Florianópolis (SC). Mais sete devem ser inaugurados até 2012.
Fonte: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/agencianoticias/site/home/noticias/leucemia_nova_tecnica_cordao_umbilical