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06/04/2010 - Por uma vida menos sedentária

Informações da Pnad, compiladas pelo IBGE, mostram que a prática de exercícios físicos ainda é apenas uma boa intenção para a maioria dos brasileiros. Acima dos 14 anos, apenas 10,2% fazem atividades
Danielle Santos


Um levantamento divulgado ontem pelo Instituto Brasleiro de Geografia e Estatística (IBGE), com informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e do Ministério da Saúde, aponta que o brasileiro ainda é um povo bastante sedentário. Os dados, de 2008, revelaram que apenas 41,4 milhões de pessoas a partir de 14 anos — ou 10,2% dos brasileiros nessa faixa-etária — se declaram relacionadas a alguma atividade física ou esporte, de acordo com os critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS). A entidade classifica como pessoa ativa aquela que pratica alguma atividade pelo menos três vezes por semana, durante 20 minutos. O sedentarismo foi comprovado também em um levantamento inédito do Pnad sobre as principais atividades de lazer do brasileiro e descobriu que os vilões da saúde são a TV e computador. Cerca de 175 milhões pessoas tinham o hábito de ficar cerca de três horas em frente à televisão, enquanto que 56,2 milhões — ou 29,6% — se ocupavam no computador.


Fabrício Martins, 31 anos, representa bem o perfil da pesquisa. Sedentário há pouco mais de um ano, o publicitário usa as horas vagas para navegar pelos sites preferidos quando sai do trabalho. Juntando as horas de trabalho e de lazer ele fica até 15 horas em frente ao equipamento. “Pretendo mudar a rotina e adotar a caminhada do trabalho para a casa, que dá uns três quilômetros. Está faltando só força de vontade”, brinca. Com os programas televisivos, ele é menos assíduo, mas está na média dos brasileiros, de acordo com a pesquisa: três a quatro horas.


O baixo número de pessoas ativas é visto com preocupação pelo Ministério da Saúde, que associa o sedentarismo a doenças crônicas. “O sedentarismo leva ao sobrepeso e à obesidade e aparece como fator fundamental do desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Isso impacta diretamente na qualidade de vida e no perfil de mortalidade”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, durante a coletiva de divulgação dos dados, no Rio de Janeiro. No levantamento, 59,5 milhões de pessoas, ou 31,5% do total, declararam ao menos uma doença crônica, diante de 52,6 milhões, ou 29,9%, em 2003. Os casos mais graves eram hipertensão, problemas de coluna e artrite.


A capacidade de se movimentar também entrou no foco da pesquisa. Atividades como pequenos consertos domésticos, subir escadas, ajoelhar-se ou até mesmo caminhar por um trecho de cem metros foram classificadas por 29,1% da população como uma atividade difícil de ser realizada. Dores na coluna, sedentarismo e envelhecimento da população são os principais motivos da falta de mobilidade.


De acordo com a coordenadora-geral de Vigilância de Agravos e Doenças não transmissíveis do Ministério da Saúde, Deborah Malta, o índice ajudará no fortalecimento de políticas públicas para enfrentar o problema. “Estamos apostando na política nacional de promoção da saúde que, só em 2009, repassou R$ 56 milhões a 1.500 municípios para realização de atividades que garantam uma população mais ativa.”


O levantamento apontou ainda que a parcela da população com acesso a plano de saúde teve um aumento de 24,5% para 26,3% entre 1998 e 2008. O crescimento maior foi na área rural, que teve um salto de 5,8% para 6,7%, durante o mesmo período. Na área urbana, o índice foi de 29,2% para 29,7%. A maioria dos associados está na região Sudeste, com 35,6% do total.


Já o grau de satisfação da população em relação ao sistema de saúde foi bem elevado. De acordo com a pesquisa, 86,4% dos entrevistados consideraram o atendimento “bom” ou “muito bom”. Associado a esse fator está o de que 96,3% deles conseguiram ser atendidos na primeira vez em que procuraram o serviço. “É bom observar a mudança na qualidade do serviço e a consolidação dos centros de saúde como a porta de entrada do Sistema Único de Saúde”, diz a coordenadora do ministério da Saúde, Deborah Malta. Ela explica que a mudança de hábito das pessoas colabora para aumentar o fluxo da atenção básica e desinchar os hospitais, por onde são feitos os procedimentos mais complexo. A jovem Bárbara Cristina, 16 anos, não tem do que reclamar. Mãe de Gustavo Henrique, de apenas 1 mês, ela utiliza os serviços do posto de Saúde nº 8, da Asa Sul, desde que nasceu, assim como os seis irmãos. O bom serviço, segundo ela, será transferido agora ao pequeno Gustavo. “Quero manter as consultas regulares e trazer meu filho porque sempre tive bom atendimento.”

 

Fonte: Época
Link: http://www.amb.org.br/teste/index.php?acao=mostra_noticia&id=5743

 

 

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